Sopa de Letras

Qualquer coisa entre A a Z, em qualquer sabor, quente ou frio.

Boom Boom Pow

20 20UTC abril 20UTC 2009

The Black Eyed Peas

The Black Eyed Peas

Olá a todos e a todas!

Hoje não estou com muita vontade de escrever algo inteligente devido a todas as desventuras que me ocorreram. Por uma conspiração homérica do destino e uma urucubaca que teima em me acompanhar, cheguei 5 minutos atrasado para o concurso público da UFSM e não pude fazer a prova, cuja qual me preparo há quatro meses. Enfim, não vou me prolongar muito nisso para não aumentar o meu desânimo.

Estava agora navegando pelo site da Zero Hora quando assisti pela primeira vez o clipe da música Boom Boom Pow do Black Eyed Peas, em seu CD novo, The E.N.D (The Energy Never Dies) . O grupo é um dos meus favoritos, mas não vou negar que não gostei da música. Até achei a batida um pouco interessante e pensei que do meio pro fim ia ficar legal, mas me enganei. O clipe tem ares de sofisticado, mas é simples demais, parecendo aqueles trashs de bandas desconhecidas que passa na TVE de vez em quando.

O que mais me assustou, porém, foi imaginar que talvez meu ídolo Michael Jackson lance um CD ano que vai, a ser produzido por Will.I.Am. Espero que ele desista dessas loucuras, faça o shows em Londres e aposente o microfone como o maior Entertainer de todos os tempos a fazer do fim de sua carreira um fiasco com um CD mal produzido.

Enfim, parece ser a falta de qualidade a tendência dos novos tempos, ou, como diz a música Boom Boom Pow: “I’m so 3008. You’re so 2000 and late.” Meu desejo para o BEP é que façam sucesso e que as outras músicas do álbum tenham um qualidade melhor.

Well, and that’s all!

O Retorno do Rei

15 15UTC março 15UTC 2009

O Rei do Pop anuncia sua turnê em Londres

O Rei do Pop anuncia sua turnê em Londres

Admito que fiquei dias pensando como escreveria esse post. Como iria iniciar? Usaria metáforas poéticas? Começaria com uma retrospectiva? Iria atacar os invejosos que sempre trucidaram a imagem do Rei do Pop? Bom gente, nesse embalo foi muito tempo e, por mais que eu me esforçasse, não conseguia achar um modo que pudesse falar da turnê de Michael Jackson com a grandiosidade que ela merece. Talvez ninguém possa. Fenômenos não se explicam, apenas aceitamos e admiramos como fatos notáveis na história. É isso tão somente, sem muito mais coisas a dizer além de This is it.

Michael Jackson anunciou 10 shows em Londres, na casa de espetáculos O2 Arena, com capacidade para 20 mil pessoas. Os órgãos de imprensa já profetizavam uma aposentadoria para o “antigo rei do pop”. Diziam também que Randy Phillips, diretor do evento, afirmara que “se o espetáculo fizesse sucesso, poderia haver uma turnê mundial”. A imprensa teve 12 anos para realizar sua lavagem cerebral, confiando que ninguém lembraria quem foi Michael Jackson. Felizmente, estavam errados mais uma vez.

A procura e reclamação dos fãs foi tão grande que o O2 Arena ampliou o número de apresentações para 25, depois para 44 e, finalmente, chegou nos 50, a idade do Rei. Mais de 1 milhão de ingressos foram colocados à venda e ficaram esgotados em 5 horas. Na internet, os sites de venda ticketmaster e viagogo (que funcionavam em forma de leilão, tendo gente pagando até 10 mil libras por ingresso) ficaram congestionados, com picos de até 200 mil pessoas comprando ao mesmo tempo cada ingresso. Foram mais de 600 acessos por segundo nos sítios virtuais conhecidos mundialmente por realizarem pré-vendas de eventos esportivos e shows de grandes artistas. Se o número total for confirmado, Michael Jackson quebrará (mais um) recorde mundial, a turnê onde os ingressos foram mais rapidamente esgotados na história, com cerca de 33 bilhetes por minuto.

Todos os promoters de eventos londrinos ficaram espantados. Ninguém conseguiu um feito de, em poucas horas, vender todos os ingressos de uma turnê realizada em uma mesma cidade. Vale lembrar que os 50 shows começam em julho deste ano e se estendem até fevereiro de 2010, ano em que se supõe o lançamento do tão esperado CD de inéditas do Rei do Pop.

Então, senhoras e senhores, qual a imagem de Michael Jackson que fica na mente de todos? A de um ser bizarro, imerso em dívidas e escândalos, um rei deposto e com a carreira em declínio, isolado no limbo dos artistas?

As vendas de This is it Tour foram um tapa de luva (branca e brilhante)a todos que se promoveram as custas da imagem desse grande artista, o qual, sinceramente acredito será insuperável por vários séculos. Não existem padrões de comparação com Michael Jackson. Ele será sempre o grande e único Rei do Pop e o maior artista de todos os tempos.

Longa vida ao Rei!

Propaganda This is it Tour

O Discurso Hipócrita da Esquerda

24 24UTC fevereiro 24UTC 2009

O problema dos intelectuais de esquerda no Brasil é que eles são estupidamente hipócritas. Para eles, o capitalismo não é um sistema ideológico contrário; é, antes, um inimigo a ser vencido. Representa tão somente um monstro terrível, o mal absoluto: corrupto, desumano e manipulador. Os intelectuais de esquerda (geralmente jornalistas, filósofos e escritores) vivem em um mundo à parte, em uma eterna Guerra Fria, onde a Esquerda é o paladino do povo, cruzado implacável contra as investidas dos cavaleiros sanguinários americanos/capitalistas/midiáticos, que saem de suas fortalezas imperiais para atribular os camponeses proletários sem cultura, ou melhor, aculturados. Esses pensadores de esquerda costumam julgarem-se os bastiões do tesouro cultural nacional, a voz das massas, os descortinadores da realidade, enfim, pontos de luz em um mundo de trevas, para usar termos rpgísticos.

O que não conseguem (ou não querem) entender é que a Esquerda também é uma linha ideológica possuidora de antecedentes e motivações, aliás, muito parecidos com os da direita, só que com o foco diferente.

Como ilustração, citarei o texto de José Lucas Alves Filho, que recebi de um amigo via email e que pode ser conferido neste link: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=378

No texto, que critica a Rede Globo de Comunicações, acusando-a de conspirar com o Governo norte-americano, encontramos diversas incoerências mescladas a fatos legítimos. O texto é claro ao se mostrar contra o Capitalismo Autoritário. Ali, a emissora carioca é acusada de manipular culturalmente o povo a serviço dos poderosos. Mas, ao ler o artigo, fiquei me perguntando: “Manipulações e tramoias são exclusividade da “mídia capitalista”? Vamos analisar algumas afirmações do ilustre jornalista para chegarmos a uma conclusão.

“As lágrimas de William Bonner na ocasião da morte de Roberto Marinho são momentos apoteóticos de uma farsa que teve início 40 anos antes e que prejudicou o desenvolvimento cultural de um país.” (grifo meu)

Que farsa é essa? O autor responde mais adiante:

“não se trata aqui somente dos recursos tecnológicos e materiais indispensáveis para o suporte técnico do Capitalismo Autoritário, mas da função adquirida pelos mesmos na estratégia montada para a condução desse Capitalismo, em suas bases ideológicas e econômicas que exercerão o poder de fato na nova Sociedade Capitalista.”

Ah! Fica claro a opinião do autor que o Capitalismo é o responsável pelo atraso cultural de um país, por sua afirmação acima. Ou seja, de antemão o modelo deve ser erradicado para o avanço da cultura.

Essa aqui é a minha preferida:

“Conforme o livro “História Secreta da Rede Globo” (p.71)”

“Visto está que, após a ditadura, o sistema de comunicações brasileiro, capitaneado pela rede Globo, manteve-se intacto e até fortalecido, dentro dos padrões ideológicos definidos pelo grupo Time-Life na década de sessenta, em plena guerra fria.”

Ou seja, o livro citado é infalível. Sua autoridade está acima de contestação. Mas, veja a última frase. Que tem o grupo Time-Life a ver com a década de sessenta e a guerra fria? Ora, trata-se de uma tentativa forçosa do articulador em dizer que a empresa estava realmente ligada com o governo americano e que era uma tentativa de manipulação da América Latina, estranhamente sem mostrar um fato sequer que pudesse comprovar tal tese.

“E, pela importância e destaque que a Globo continua ocupando na mídia nacional, é evidente que este processo continuou a se fortalecer durante os últimos quinze anos.”

onus probandi é uma expressão latina que indica a responsabilidade de se mostrar provas para sustentar posições. Uma tática de argumentação é fugir desse encargo utilizando-se de expressões que sugerem evidência por si mesma, como “evidente”, “está claro que” ou “Todo mundo sabe que”. Se lermos o texto na íntegra, veremos várias acepções como esta, onde a frase citada é apenas um exemplo desse recurso de retórica, vazio em sua essência.

“Que a implantação da rede Globo no Brasil foi ilegal e fato criminoso é assunto já discutido e conhecido por uma grande parte da população pensante do país,”

Temos aqui uma desqualificação das pessoas que desconhecem o fato ou simplesmente discordam do autor como não pensantes, em uma simples análise estrutural.

“mas entender que este fato faz parte de um contexto econômico e político-social configurado na “globalização” das comunicações e que é o grande orientador ideológico do Capitalismo Autoritário, isto é que é preciso analisar e definir claramente.”

Como a globalização representa o xeque-mate do Capital, a esquerda vê isso como a própria besta apocalíptica. De uns anos pra cá, apenas fatos locais tomam o tempo da esquerda e o próprio ideal bolivariano muito apreciado em alguns setores radicais no país foi de pronto abandonado, temendo que no futuro se pudesse criar uma microglobalização ou talvez um neofascismo.

“Com isso estaremos dando argumentos para que os setores que ainda resistem aos avanços do Capitalismo Autoritário possam ser “sacudidos” em seus brios éticos e de compromisso com a nação, e passem a defender o direito das maiorias de impor seus interesses nos sistemas de comunicação de massa.”

Lembrou-me de um comentário do blog esquerdista Diário Gauche, onde um usuário refere-se à Yeda Crusius e seu governo (PSDB) como “O lado Negro da Força” e Lula, Tarso e afins (PT) como “O pessoal do bem”. http://diariogauche.blogspot.com/2009/02/governo-yeda-esta-por-um-fio.html

Continuando nossa análise

“Os jornais, censurados, dirigiram as notícias segundo os interesses da ditadura, que coincidiam com os Estados Unidos. Foi a era do “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. A subserviência aos americanos passou a ser completa, e assim continua até os dias atuais.

Outra vez, sem o mínimo de provas que comprovem tal teoria.

“A estratégia, portanto, estava muito clara: tratava-se de apoderar-se dos meios de comunicação mais importantes dos países-chaves da América Latina – Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia, da mesma maneira como o mesmo Sr. Pullen vinha fazendo na Europa e no Oriente Médio, e a intenção, óbvia, era a de influir decisivamente na formação da consciência das gerações que formariam o novo mundo do terceiro milênio,que os Estados Unidos desejavam, estivessem sob seu controle.”

Novamente aqui, temos as decisões das grandes corporações internacionais como atreladas às vontades americanas, com o ótimo argumento do jornalista, a qual podemos resumir: é assim porque eu quero que seja.

“As medidas eram mais simples: da mesma forma como o americano é auto-endeusado, através da metáfora do super-homem, ou seja, a capacidade que qualquer indivíduo isolado nascido nos Estados Unidos tem de resolver qualquer tipo de problema, situação ou risco, o que é mostrado sistematicamente na filmografia americana, principalmente, mas nas demais produções que se fabricam naquele país, com o intuito de elevar a auto-estima desse povo, e leva-lo a considerar-se superior aos demais”

Fato curioso: esse tipo de gente costuma desconhecer a História. Ou melhor, a História corre em um tempo diferente. Ela começa com a ascensão dos EUA, após a segunda guerra e está presa à Guerra Fria. Alguém já disse a esses senhores que essa estratégia de “elevar a autoestima” foi amplamente utilizada no Romantismo em todo o mundo, inclusive no Brasil? Ora, será que Goethe, Stendhal, Victor Hugo, Balzac, Herculano, Garret, Walter Scott e José de Alencar foram igualmente vilões por terem a mesma atitude, alguns séculos antes? Como vemos (e a esquerda teima em não lembrar), o ‘aviltamento da nação’ não começou com os norte-americanos.

“a estratégia da Time-Life e do governo norte-americano em relação ao povo brasileiro era justamente a oposta: mostrar as mazelas do povo, as dificuldades sem solução, a incapacidade, a corrupção e o conformismo como base do espírito brasileiro, utilizando-se para isto, principalmente, das novelas da televisão e dos programas “bandeira dois” nas rádios locais.”

Novamente, o desconhecimento histórico. Machado de Assis deveria ter sido queimado vivo por ser o arauto da mídia capitalista.

Ou seja, a Globo assume a orientação da educação, cria e financia os sistemas de divulgação, estabelece a programação e é reconhecida em todos os seus atos pelo Ministério da Educação. Fecha-se o círculo, e a formação da Consciência Nacional fica entregue aos objetivos da Rede Globo e de sua integração com o pensamento e ideologia norte-americana.”

Novamente aqui, temos a forçosa associação da mídia com o governo norte-americano simplesmente porque o autor quer que isso aconteça.

Resumidamente posso dizer que não existe diferença entre os discursos da direita e esquerda quando estas querem manipular as massas. As citações do texto mostram vários vazios a serem preenchidos por um leitor atento. A esquerda também engana, manipula, controla e tem uma preocupação em servir com um modelo que nem de longe está longe de falhas e reprovações, basta vermos os regimes stalinistas ou o recente chavismo. Se houve um acerto crítico da esquerda e dos socialistas no Brasil, foi conseguir incutir na mente da maioria da população de que essa linha de pensamento é a única e genuína representante do povo. Eis a idéia que sempre irei combater com bons argumentos e provas convincentes.

Sim, nós fizemos!

30 30UTC janeiro 30UTC 2009

Depois de uma semana do governo de Barack Obama, os americanos e, de certo modo, a comunidade mundial voltaram as suas atividades corriqueiras, deixando à margem a euforia da terça-feira. De qualquer forma, é importante que se fale do carisma do presidente e, principalmente, da beleza de seu discurso, feito por um jovem de apenas 27 anos.

Confesso que fiquei espantado pela comoção que Obama causou nas pessoas. Todo mundo falava nele. Nos bares, na rua, no trabalho, no MSN, enfim, Obama era a notícia do momento. Também pudera, afinal, ele é o primeiro presidente negro dos EUA e chegou lá sendo quase desconhecido, uma vez que nunca fora presidente de estado. Illinois também não é tão badalado quanto Nova York, lugar de nascimento da atual secretária de Estado, Hillary Clinton. Aliás, nas prévias, Barack Obama já dava sinais de vencedor, ganhando a queda de braço com uma das famílias mais influentes do mundo e com experiência na presidência Yankee.

Então, a eleição de Barack Obama não me supreendeu em nada. Eu realmente achava que ele iria se eleger devido às práticas reprováveis do governo Bush. Lógico que sempre é possível ficar com um pé atrás em se tratando de americanos, os quais elegeram George W. Bush duas vezes.

Mas, in ou felizmente, sou bem cético. Simplesmente não acredito que Barack Obama possa fazer mundos e fundos. Ele é um presidente que tem mais desafios do que poderes cósmicos e sabe que bravatas não adiantam para resolver os problemas da América, ao contrário de um certo presidente operário que conheço bem…

Fiquei decepcionado com Obama principalmente pelo seu apelo iconográfico, seu desejo em comparar-se com Lincoln e seu desvio em apresentar soluções para a crise econômica mundial, a guerra no Iraque e a questão dos imigrantes. Pelo menos consta em seu plano a redução de poluentes e o incentivo às energias renováveis, mas nada foi dito sobre como isso será feito.

Além disso, o novo presidente deve ter em mente que o cenário político mundial mudou muito neste século. É impossível pensar e governar sem o apoio do dito mercado emergente: Brasil, China, Índia entre outros, que  juntos representam metade do poder de compra do mundo atual.

Sem dúvida alguma a escolha de um democrata foi melhor do que a possibilidade de continuação do império republicano, representado por John MacCain, mas os americanos não devem ludibriar-se pensando que agora terão uma fada mágica empunhando uma varinha de condão na cadeira da presidencia. Entendo que este, porém, foi um voto da mudança. Os estadunidenses queriam isso, podiam fazê-lo e, de fato, fizeram. Yes they did.

Favorita

17 17UTC janeiro 17UTC 2009

A novela “A Favorita” terminou e, por incrível que pareça, não assisti ao final. Fiz isso porque simplesmente detesto finais de novela, quase sempre sem criatividade nenhuma e a máxima dos bonzinhos vencem os mauzinhos no final, utilizando as técnicas do folhetim que fez muito sucesso no início do século passado.

Porém, essa novela teve alguns pontos interessantes e admito que chamou bastante atenção. Gostei da história em si, do que ela deveria ser sobre o clima de suspense e tal. Talvez se tudo tivesse se resolvido no final, teríamos uma grande história. Quem seria a grande vilã, no fim das contas? Flora ou Donatela? No entanto, o autor, estupidamente, enfeitou uma personagem com traços de antagonista e depois forçou o público a aceitar goela abaixo Donatela Fontini como a vítima. Além disso, a Globo reafirma seu desserviço ao povo brasileiro enchendo a novela com atores de qualidade questionável, como Cauã Reymond, Thiago Rodrigues, Débora Secco e Murilo Benício.

Gostaria de discutir apenas o que me fez ter certo apreço pela novela, a saber, seus dois vilões principais: Flora e Silveirinha. Embora a personagem da ótima Patrícia Pilar não fosse tão inovadora, é inegável o carisma que ela transmite. Adorei suas falas, a ironia, o cinismo sem igual e a cara de falsa que possuía quando a cena envolvia outros personagens. Infelizmente, para estragar com tal vilã, nos últimos dias, desde o seu casamento, a esperteza e crueldade intrigante foi dando lugar a uma loucura sem cabimento, talvez com o objetivo de ter um “gancho” que justificasse a burrice que levaria à sua morte ou prisão. Gostaria que ela acabasse bem, dando o golpe em todos, realizando seus objetivos e ainda se safando. Seria um tapa de luva no povo e uma mostra de realismo na ficção. Afinal, sejamos francos, o que acontece na vida não é algo assim? Essa semana tivemos a notícia da absolvição de Marcos Valério no escândalo do mensalão. Se alguém pode “ferrar com a vida de todos” e, no final, sair numa boa, porque isso não poderia acontecer na novela? Afinal, a “arte não imita a vida”?

Por fim, vou falar aqui do Silveirinha. Esse, para mim, foi o ícone de toda a trama. Um personagem fascinante e com ares de clássico, como “o culpado é o mordomo”. A vivacidade do seu ódio, a falta de escrúpulos, a inteligência malévola e, principalmente a sua amargura interior foram sabiamente transmitidos pelo ator. Se alguém merece os aplausos por essa novela, essa pessoa é Ary Fontoura. Excelente interpretação.

Aqui vai um vídeo do momento mais emocionante da novela:

Silveirinha discute com Donatela

Rivera

21 21UTC dezembro 21UTC 2008

Praça de Rivera

Bandeiras na Praça entre Rivera e Livramento

Surpreendeu-me a última visita que fiz à Rivera, na última semana. Apesar do preço elevado do dólar, a cidade parecia alegre e receptiva, como sempre. Cansei muito das longas caminhadas que fiz, observando não só os produtos, mas as pessoas. Parei em uma banca para comprar um El Pais, como me é de costume sempre que vou àquela cidade, aproveitando para pegar outras coisas. Nesta banca de jornal havia livros infantis acompanhados de jogos e também alguns clássicos de bolso. O preço valia a pena. Comprei um Martín Fierro e um Borges por dez reais, além de outros livros. Lembrei-me que um clássico de Machado, nas revistarias daqui, não sai por menos de dezoito reais.

Á noite teve um festival na cidade e muita gente estava lá para assistir. Os freeshops ficaram abertos até a madrugada e fizeram promoções. Houve apresentações de bandas e artistas. A cidade estava colorida, com luzes e fogos; o clima era alegre. Vez por outra apareciam palhaços brincando com as crianças e com os turistas. Em alguns palcos nas interseções de ruas ouvia-se o tango e diversas crianças dançando música flamenca ao som do acordeón. Pelas calçadas, em alguns pontos, estavam dispostas mesas e pessoas sentadas por ali bebiam e comiam, aproveitando o ótimo atendimento uruguaio.

Sentei-me em frente a um freeshop da rua Sarandi e fiquei observando a gente que por ali passava. Não eram pessoas bonitas os uruguaios, mas havia requinte na postura e na forma de se vestir. Muitos pareciam ter saído de uma capa da Vouge. O predomínio era dos jovens. Tinham um semblante agradável, esbanjavam alegria, pareciam realmente contentes. Andavam em grupos, abrançavam-se, tiravam fotos, conversavam, riam. Os ambulantes ofereciam seus produtos nas ruas e cantarolavam as músicas tradicionais/listas que estavam sendo cantadas também pela multidão ao redor dos palcos. Parecia que o próprio Paraíso Cristão estava ali encarnado e fiquei pensando: “Essa cidade é demais!”. Estava eu admirado quando, para romper com a harmonia da pintura (ou da lira, quem sabe) sentou ao meu lado uma mulher e seu marido. Estava ela reclamando desde a cor dos casacos de uma loja até o barulho dos carros de som. Era brasileira.

Fiquei triste ao lembrar que não temos eventos desse tipo em Alegrete. Numa simples mateada em volta da praça ou no Parque, o certo é que haverá brigas entre um marginal que provoca outro, sendo ambos de gangues rivais. Muitas vezes os tiroteios atentam contra a vida das outras pessoas ali reunidas, o que torna inviável a permanência em tal local. Incrível a capacidade do brasileiro de esculhambar com tudo, principalmente com o lazer de outrem.

Recomendo visitas constantes e demoradas à Rivera, não só pelos perfumes ou eletrodomésticos, mas também para provar sua parrillada, seus panchos, seus sorvetes, suas massas, seu doce de leite, além de ouvir a música e assistir ao teatro. Esta é o tipo de cidade que dá a sensação de que sempre falta algo por fazer e que reflete toda a paixão e simpatia do povo do Uruguai.

Sopa de Bar

16 16UTC dezembro 16UTC 2008

Michael Jackson, o eterno Rei do Pop

Michael Jackson, o eterno Rei do Pop

Quase um ano sem postar…

É isso! Quando decidi que simplesmente deixaria de escrever, a necessidade de fazê-lo foi maior do que eu mesmo. Para tanto, achei oportuno mudar a cara do blog. Espero que tenham gostado.

Vamos ao que interessa. Estava eu no Quiosque, ontem, conversando sobre alguns assuntos interessantes, entre eles a crítica à microssérie Capitu, que deixou de lado toda a inteligência do diálogo de Machado de Assis para criar personagens caricaturados. Destaque para a Capitu nova. Realmente inteligente, intrigante, sensual, misteriosa, com direito a “olhos de cigana dissimulada” e tudo mais.

Falamos de vários assuntos, mas, um em especial fixou-se na minha cabeça como aquele vento de inverno balançando em nossa mente. Essa comparação não foi à toa, está na música Man In The Mirror do fantástico, genial, talentoso e indecifrável Michael Jackson. E é sobre ele que falava em minha conversa no Quiosque da Praça, ponto central das grandes discussões da cidade, talvez, como o próprio Fórum Romano para os latinos, mas em menor escala, obviamente.

Pois bem, o fato é que penso em organizar um material a respeito da influência de Michael Jackson não só para a cultura pop, que, aliás, é evidente, mas um Michael dificilmente citado, que é o ícone do talento negro. Por mais que hoje ele já não tenha essa cor por virtude de sua doença — vitiligo — é inegável a contribuição dele para a música e cultura negra, lembrando que suas raízes musicais provêm de cantores do soul e rock americanos.

A história todo mundo conhece, um garotinho pobre que vivia em uma casa cheia de irmãos, um pai ambicioso e violento, uma mãe submissa, mistérios sobre possíveis abusos na infância, que vão gerar especulações a comportamentos estranhos na fase adulta até chegarmos em denúncias de pedofilia.  Esse é o Michael Jackson que o mundo viu, porém, hoje as pessoas esqueceram seu talento, sua voz, sua desenvoltura no palco, sua genialidade para pensar a música, seu forte senso humanitário, sua sensibilidade.

Ocorre que o pop era, antes de Michael Jackson, um estilo de música cantada/tocada/dançada apenas por negros, era o ritmo da periferia norte-americana, a manifestação cultural dos guetos. Michael, na sua fase adulta, utilizou-se desse gênero e o apresentou ao mundo, levando o pop, como diria Camões, “por mares nunca dantes navegados”.

Em suas músicas, como Beat It e Bad, mostrou fatos da realidade deixados à margem pela camada dominante (e branca). Em músicas como Human Nature e Man in the Mirror levava as multidões não apenas ao delírio, mas à pura reflexão da condição humana e necessidade de ajuda aos nossos irmãos, barrando qualquer preconceito como a cor ou religião. E como podemos esquecer We are the World, com diversos nomes convidados para ajudar a África?

O album Thriller é até hoje o mais vendido da história, foi a marca de uma época, um verdadeiro show de qualidade, aliás, coisa que nosso cantor sempre valorizou em suas atuações. Com esse álbum Michael bateu todos os recordes possíveis e, o mais importante, o mais emblemático: era um negro. Um negro de origem humilde, sem estudo formal. Sua dança, sua música, seu estilo nada mais são do que as marcas da cultura negra de sua época, como se a periferia tivesse construído um artefato perfeito, transfigurado em ser humano. A dança de rua, o break, a tensão nas batidas, tudo o que se configurou marca da raça negra nos anos 80 pode ser escutado e visto nos shows de Michael Jackson, principalmente em Thriller. Como esquecer seu Moonwalk na eletrizante Billie Jean?

O extraordinário Jacko não apenas brilhou como símbolo negro, ele revolucionou a música, a dança, os shows, os clipes, a própria visão que se tinha do artista. Um lançamento de um álbum de Michael Jackson sempre é esperado como algo revolucionário, um verdadeiro “acontecimento musical.” Quando Jackson lança um CD, pode ter a certeza de algo na música irá mudar a partir de então. Eis porque ele foi considerado o artista do milênio. Superou também grandes figuras como Elvis, Beetles e seu próprio ídolo, James Brown.

Agora, caros leitores, o que “sabemos” de Michael Jackson? Apenas uma figura esquisita, um negro “que quis ficar branco”, pedófilo e andrógino. Não é isso que nos vem à mente ao pensarmos nesse grande entertainer?  A quem interessa reduzir e ridicularizar Michael Jackson? Há quem diga que ele já perdeu o posto de Rei do Pop para Justin Timberlake, o queridinho da América, loiro, de boa aparência européia, personificação da classe rica estadunidense…

Assista no Youtube aos vídeos de shows do Justin e do Michael e tire suas próprias conclusões…

Falta, neste século, o devido reconhecimento ao gênio da música pop e negra.

Longa vida ao Rei!

Bate Papo

26 26UTC novembro 26UTC 2007

Gente, mais uma semana se passa e temos que tomar nossa sopa, agora perto da Ceia
de Natal. Estive passando randômicamente pela internet e encontrei uma matéria
que muito me fez rir, a respeito das salas de bate-papo da internet. Vou apenas
transcrevê-la para que vós possais sentir o doce gosto da ironia (ou seria
realidade?).

Créditos: ¿Tocas la guitarra?
Originalmente em:http://www.tocas.blogger.com.br/2004_03_01_archive.html

Uma viagem ao centro dos CHATs - parte I

Olá, hoje falarei-vos sobre aquilo que é praticamente sinônimo de internet: salas
de bate-papo. Ah, se Homero estivesse aqui escreveria uma nova Odisséia através
dos chats, ou então Camões desfiaria versos e mais versos para falar de suas
aventuras em tais salas. É muito pano pra manga.

De acordo com o Tocas Researching Institute®, todos que obtêm uma conexão com a
grande rede, à primeira instância criam um endereço de e-mail gratuito e entram
no bate-papo UOL - rotina que durará algum tempo. Aqui chegamos à uma bifurcação
sexual, homens e mulheres têm atitudes diferentes a partir de agora.

Caminho masculino
Os nicks mais utilzados por este público é: Moreno, G@to, Saradao, G@tinhoMSN,
olhos verdes, 23 cm, Gostoso, ^^Anjinho^^ dentre outros mais conhecidos por você,
caro leitor. Por trás dessa máscara o indivíduo tenta puxar conversa com todas as
mulheres da sala, com a intenção subconsciente de acasalamento camufladas pelas
conversas fúteis sobre quem é o novo líder do Big Brother.
Há três perfis básicos: O Conquistador de corações - aquele que entende bate-papo
como mais um mecanismo para "catá muié" - ou arranjar um parceiro - , vem com uma
conversa mole, depois já quer marcar um encontro e aí por diante; O Amigo
sentimental é o que compreende as mulheres e por isso um ótimo cara para
conversas que rompem a madrugada falando sobre o ex-namorado dela, muto bom
conselheiro também; finalmente o Palhaço, ele só pensa em xingar todo mundo que
se encontra na sala e tem convulsões de tanto rir sozinho em casa.

Caminho feminino
Regra universal: TODOS OS NICKS ESTÃO NO DIMINUTIVO - Larissinh@, G@tinha,
Loirinha, moreninha, etc.
Se a garota foi feia, usará apelidos narcisistas: gostosinha, lindinha, fofinha
(esse é de gorda).
Se for mais ou menos procura utilizar coisas mais comuns no estilo Paulinha_16.
Se for bonita pode ter certeza que ela não pensa em entrar em um bate-papo.
Elas só pensam em conversar, coisa que mais adoram fazer. Chat é apenas uma
ferramenta para não levar bronca dos pais porque fica duas horas jogando conversa
fora no telefone.

Queria chamar vossa atenção para a grafia dos nicks, o "A" é substituído por @ e
as outras letras por caracteres acentuados estranhamente, símbolos e números, o
que os torna muitas vezes incompreensíveis.

Esse é o turbilhão inicial por que passa o recém-chegado internauta, a partir de
agora passará momentos de diversão frente o computador.

Uma viagem ao centro dos CHATs - parte II

Aqui estamos novamente. O tema abordado será a conversação propriamente dita.
Tudo começa com "Oi, quer tc?", a pergunta diabólica que pode ser o o início de
uma vida de frustrações seguida por suicídio. Ergam as mãos irmãos e afastem o
diabo daqui. Benzam-se, rebenzam-se, valam-se e continuem a ler.

70% das conversas é iniciado por pessoas do sexo masculino - dado comprovado pelo
Tocas Researching Institute® - e assim começa um ciclo composto por tais
perguntas: "qtos anos?", "como vc é?" "de onde tc?", "onde estuda" (se morarem na
mesma cidade), "o q faz da vida" e por último tem namorado?, a questão que
geralmente encerra a conversa pois ambas as partes não têm mais criatividade.

Agora enveredando para o lado das exceções, a partir desse ponto podem partir
para discussões metafíscas sem fundamentos, brigas baseadas em "tiradas", sexo
virtual, afogamento de mágoas ou até ambos se apaixonarem: "Eu encontro vc amanha
às 3:30 no bate-papo da UOL, tema livre, sala 78. qq coisa manda um email pra mim
mariazinha9845@bol.com.br". Aqui o amor acaba pois no outro dia a sala estará
lotada e a caixa de e-mail da infeliz provavelmente tem sua cota de disco
esgotada porque ela não apaga nenhuma mensagem que recebe. Nunca mais se
encontrarão. Apenas lembrarão das juras de amor que forma feitas, em certos
casos, sem um dos lados saber, por pessoas do mesmo sexo.

Os prejuízos de conversa em chat é que o indivíduo perde totalmente a noção de
onde colocar vírgulas ou acento, além de que sempre fica na dúvida se aquela
palavra é com "ch", "x" ou "s". Em suma, lentamente vai fazendo um genocídio às
regras da gramática, que hoje já está na UTI à beira de uma eutanásia.

Meio a tudo isso rola muita publicidade. Um exemplo real que elucida tudo:
(09:39:27) G@TINHA7677 (reservadamente) fala para ESPAÇO ETIDADO PELO SERVIÇO DE
PROTEÇÃO À VÍTIMA: OLÁ! SOU PRISCILA! ESTOU PELADINHA TE ESPERANDO, ACESSE O
ENDEREÇO A SEGUIR: http://www.PRISEX.com
Alguém sempre cai nessa.

Então um dia, o indivíduo acorda e vê luz; percebe quão improdutivo é isso e
passa para o segundo estágio da vida de um internauta "Virar Hacker" ou "Visitar
sites de Humor".
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.
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to be continued…

Sopa do A, E, I, O, U

9 09UTC novembro 09UTC 2007

Olá gente!

Esta semana estava procurando algum material teóricos sobre alfabetização e lingüística. Primeiramente devo dizer que foi difícil achar, razão de minha profunda reflexão sobre o quão perigoso deve ser esta etapa do ensino, carente de bases sólidas para trabalhar. Porém, graças à indicação de uma amiga, estou lendo um livro de Luis Carlos Cagliari (do qual sou fã neste momento), entitulado Alfabetização e Lingüística. Vejam esse trecho da introdução:

" O domínio da escrita e o acesso ao saber acumulado tem sido uma das maiores fontes de poder nas sociedades e, por isso mesmo, privilégio das classes dominantes. Por que todos os indivíduos não passaram a ser alfabetizados desde o momento em que se inventou a escrita? Porque isso representaria o compartilhamento do saber do poder e do poder dos saber. A igualdade de chances se tornaria perigosa de mais para os que quisessem mandar e ter quem lhes obedecesse. Nada melhor do que a ignorância para gerar obediência cega, a subserviência e o conformismo, como destino irrevogável da condição humana.
Somente no último século apareceram as escolas públicas e foi permitido um número maior de estabelecimentos de ensino. A razão disso, contudo, não foi humanitária, mas essencialmente a necessidade de acompanhar vertiginoso desenvolvimento do saber e da tecnologia num mundo de concorrências em que os donos do poder, para se manterem fortes, precisavam armar seus súditos com armas mais sofisticadas, mesmo sob o risco de verem essas mesmas armas um dia voltadas contra si próprios. Essa fo, na verdade, uma grande implosão no sistema, que causou nele um rombo irremediável. Passando as camadas populares a ter acesso à escola, começaram não só a preservar as riqueza dos poderosos, agora com um trabalho de escravos especializados, como a sentir necessidade de reivindicar melhores condições de vida, chegando em alguns momentos a perceber que a verdadeira força do poder está, na realidade, em suas mãos e com ela poem mudar as regras do jogo."

E ele segue, com um texto forte e crítico, porém muito real:

" A escola como instituição social sempre selecionou sua clientela. Jà foi a escola dos filósofos, dos religiosos, da burguesia etc. e, mais recentemente, tornou-se também a escola dos pobres. De certo modo, todas essas escolas convivem hoje. Se as de religiosos tinham a arquitetura de conventos e as dos burgueses o luxo e o requinte de sua clientela, as escolas dos pobres apresentam-se miseráveis como o próprio povo."

Pessoal, por fim, mas não menos importante, ajude-nos votando Wake Up Call (maroon 5) para primeiro lugar.

http://globosat.globo.com/multishow/tv/programas/votacao.asp?

O sapo, a menina e o professor

4 04UTC outubro 04UTC 2007

Olá pessoal!

Sei que há tempos não posto, mas, para contar como assinado o ponto, vou mandar essa piada, originalmente em blog.uncovering.org

 

Era uma vez uma menina muito bonita que andava a passear à beira de um lago quando viu um sapo junto à água.

 

Coitadinho!, exclamou a menina. O que posso fazer para o ajudar?

- Bem, se você me beijar o feitiço é quebrado e eu volto ao normal. Aí podemos casar-nos e seremos muito felizes, estou certo.

A menina, toda contente, meteu o sapo dentro da bolsa e levou-o para casa. Mas o tempo passava e beijar o sapo - nada! Este começou a ficar impaciente e perguntou:

- Então menina você vai me beijar ou não?

- Nem pensar! disse a menina. Um sapo falante dá muito mais dinheiro do que um marido professor…

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